Novamente a bandeira do mercado
hoteleiro como grande oportunidade de emprego surge com advento da Copa
do Mundo.
Há uma escassez de profissionais qualificados e há pouco tempo para
alcançar o nível de qualidade que o evento exige. Entre as soluções para
suprir a escassez de profissionais estão: a qualificação via ensino
superior e técnico e o aumento de cursos de capacitação para os
trabalhadores da área. Dois pontos aparentemente simples, mas de uma
complexidade tamanha.
Nos últimos anos há uma diminuição da demanda de alunos dos cursos superiores e técnicos. Profissionais relatam que poucos alunos seguiram a carreira em Hotelaria, principalmente entre os graduados em curso superior. Muitos não compreenderam, porque depois de formados não gerenciaram um hotel e perceberam que a porta de entrada é a mesma para os práticos, técnicos, tecnólogos e bacharéis. A realidade mostrou, como acontece com as demais carreiras, o conhecimento académico é uma etapa e não o final do processo. A união entre teoria e prática é mais que necessária.
Hotelaria, defende a qualidade no ensino superior em turismo e entende que o sucesso do mercado dependerá:
- Da capacidade criativa dos profissionais;
- Da habilidade na introdução de novas tecnologias;
- Do uso de novos processos e formas de organização;
- Da capacidade de adaptação do profissional: factor-chave do êxito para as empresas;
- Da busca constante de produtividade: o principal objectivo e a única possibilidade de sobrevivência dos profissionais.
Uma instituição de ensino deve ser muito mais que uma preparação para o mercado, ela deve despertar no aluno a importância da pesquisa e investigação, além de estar em sintonia com o futuro. A maior parte dos profissionais formados em cursos superiores preenche as vagas das redes hoteleiras e de empreendimentos de categoria superior, exigentes quanto ao profissionalismo. Contudo, mais de 80% dos empreendimentos hoteleiros são de hotéis independentes e eles também necessitam de qualificação.
A maioria dos pequenos empreendimentos aprendeu a qualificar seus profissionais na prática. Quem nunca ouviu aquela frase: "Aqui se aprende no dia-a-dia, atrás de um balcão de recepção". Essa mesma cultura com uma dose de planeamento e acompanhamento de um profissional especializado poderá desenvolver educadores internos, nomeadamente chamados de agente multiplicadores.
Não importa se o empreendimento é grande ou pequeno, há uma necessidade básica: qualificar profissionais e empresários. A proposta por uma qualificação que atinja os diversos universos passa pela compreensão da realidade de cada região, em cada empreendimento. O exemplo de Aparecida é muito pertinente nesse sentido.
Para o profissional fica o grande desafio de torna-se independente, conduzir sua carreira de forma autónoma. O sucesso de uma carreira no mercado hoteleiro necessita de muito esforço e planeamento. O mercado carece de profissionais com habilidades múltiplas - o que vai além de saber fazer diversas actividades. O profissional tem que ser facilitador e ter a competência de avaliar e solucionar problemas, de julgar e agir, aprender e transferir aprendizagem. O desenvolvimento de profissionais polivalentes exige empresas e líderes polivalentes.
Sobre o autor:
Tharles Balen – tbalen@hotmail.com
Bacharel em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul/Brasil, no Brasil seu país de origem trabalhou em diversas Rede Hoteleiras chegando ao cargo de Gerente Geral, participando ainda de implanatações de hotéis, transições de bandeira e encerramento de atividades hoteleiras e também já atuou como professor em cursos de extenção em Universidades Brasileiras, atualmente desempenha a função de Assitente de Direcção em um hotel em Lisboa.